Nacional FIC do Espírito Santo em Baixo Guandu fecha com chave de ouro e grandes celebridades da criação
O Nacional FIC realizado neste domingo em Baixo Guandu (ES) foi simplesmente espetacular. Um verdadeiro show de genética, canto e dedicação, reunindo mais de 200 pássaros na roda e consagrando o Espírito Santo como palco de uma das etapas mais emocionantes do circuito nacional.
A resenha antes do espetáculo
Como já é tradição nas grandes etapas nacionais, a véspera do torneio foi marcada por um grande churrasco de confraternização, realizado no restaurante do presidente Marcos, anfitrião do evento.
Criadores de várias regiões do Espírito Santo e de outros estados se reuniram em um clima de pura alegria, boas risadas e histórias de estrada.
A resenha da noite de sábado foi um verdadeiro esquenta do torneio: todos os presentes celebraram a amizade, trocaram experiências sobre genética, manejo e preparação dos pássaros, e relembraram momentos marcantes da trajetória da FIC pelo Brasil.
A recepção feita ao presidente da FIC, Nelson Arrué, foi destaque — um gesto de respeito e reconhecimento pelo trabalho que vem sendo desenvolvido em prol da ornitologia nacional.
“A energia dessa turma é incrível. Sempre digo que os torneios da FIC não são apenas competições, são encontros de famílias apaixonadas pelos pássaros. Ver essa união me motiva ainda mais a seguir fortalecendo nossa federação”, destacou Arrué durante o jantar.
Trinca-ferros dão show
Nos Trinca-Ferros, o destaque absoluto foi o Trinca As de Espada, que encantou o público com uma apresentação histórica.
A primeira marcação do pássaro foi feita pelo presidente da FIC, Nelson Arrué, que registrou 220 cantos em apenas dez minutos, consolidando o desempenho que levou o As de Espada ao título de campeão.
Arrué demonstrou novamente seu olhar técnico apurado e sua concentração característica nas marcações. Não é a primeira vez que o presidente da FIC presencia um feito assim: no Nacional de Tubarão (SC) em 2024, ele também foi o responsável por marcar o lendário Coleiro Carrasco, que alcançou nada menos que 350 cantos na final, sendo aplaudido de pé por criadores e fiscais ao lado de Gean Grimes.
Com essa sequência de eventos marcantes, Arrué confirma sua fama de “pé quente” e profundo conhecedor da performance dos grandes campeões da FIC.
A disputa pelo 2º lugar também foi eletrizante. Os trincas Fogo Selvagem e Recomendação travaram uma verdadeira batalha de canto e fibra, alternando a liderança até os minutos finais. A diferença foi mínima: apenas 5 cantos separaram o Fogo Selvagem, que garantiu a vice-liderança com uma exibição poderosa e constante, mostrando o alto nível técnico da categoria.
Coleiros de alto nível e decisão estratégica
Na categoria Coleiro, a expectativa inicial era toda voltada para o consagrado Coleiro Delírio, do criador Rubens, que vem se destacando nas grandes etapas pelo Brasil a fora. Porém, o pássaro foi retirado da roda após o proprietário Rubens observar sinais de agitação e perda de penas. Rubens explicou que as constantes viagens e a oscilação climática entre estados as vezes acaba afetando o rendimento do Delírio, e decidiu poupá-lo para o próximo compromisso em uma região de clima mais frio.
Com a ausência do Delírio, o protagonismo ficou nas mãos — ou melhor, nas cantadas — do Coleiro Mustang, do criador André Corsini. O duelo entre Mustang, Lacoste, Caçador e Texas foi intenso até os oito minutos de prova, com marcações apertadas e um público atento a cada repetição. Nos minutos finais, o Mustang se impôs com uma sequência curta, firme e de altíssimo rendimento, levando os fiscais e o público ao delírio.
O presidente da FIC, Nelson Arrué, acompanhou de perto cada detalhe das cantadas e destacou o desempenho do Mustang.
“Foi um torneio intenso, de muita fibra e pássaros excepcionais. Fiquei surpreso com o desempenho do Coleiro Lacoste, um jovem de apenas um ano e meio que demonstrou enorme potencial. É uma verdadeira pedra bruta que, com lapidação correta, pode se tornar um dos grandes nomes da criação nacional”, comentou Arrué.
Organização exemplar e novo formato de marcação
Arrué também elogiou a equipe liderada pelo presidente Marcos, responsável pela condução técnica do evento:
“O Espírito Santo mostrou um padrão organizacional digno de nacional. O torneio correu com cronograma preciso, tempo cronometrado e total atenção dos fiscais em cada etapa.”
A novidade da etapa foi a marcação por nota nos Trincas, um formato tradicional do Sul do país (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), que foi aplicado pela primeira vez no Espírito Santo.
A experiência foi aprovada pelos criadores e pelo presidente Marcos, reforçando a diretriz da FIC de padronizar o regulamento nacional para todas as regiões do Brasil.
️ Próxima parada: Minas Gerais
A 3ª Etapa Nacional FIC já tem data marcada: 9 de novembro, na cidade de Lajinha (MG), em parceria com a ACAPL. O evento promete reunir novamente grandes nomes da criação capixaba e mineira, com presenças confirmadas de Rubens (Delírio), André Corsini (Mustang), Lacoste, Caçador e Texas, além de novos competidores da região.
A disputa promete ser acirrada, especialmente na categoria Trinca-Ferro, onde o campeão capixaba As de Espada enfrentará uma legião de trincas mineiros de altíssimo nível.
Os Canários e Azulões também prometem abrilhantar a etapa com apresentações dignas de grandes espetáculos da ornitologia brasileira.

